quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A difícil tarefa de amar ...

Quando decido escrever sobre determinado assunto é porque fui inspirada por algo ou por alguém, ou pelas duas coisas. A razão de eu ter sentido o desejo de refletir com vocês sobre um tema tão complexo é porque tenho vivido algumas experiências nas últimas semanas sobre o que significa amar e ser amado, e estas têm sido também alimentadas pelo que tenho lido no livro "As quatro estações do casamento", de Gary Chapman (famoso escritor cristão e conselheiro de casais).
Em primeiro lugar, gostaria de afirmar que o amor é um processo, logo, perpassado por avanços e retrocessos, dúvidas e certezas, amadurecimento, recrudescimento. Não é simplesmente um "sentimento", algo que se restringe as emoções, mas ganha materialidade nas nossas ações, gestos e atitudes. Ele se prova no cotidiano da relação e deve pautar nossas escolhas. Deve pautar a forma como vemos o outro e o que somos capazes de fazer por esse outro.
O que percebo é que o amor não espera perfeição, mas espera entrega. Amar de verdade requer estar disposto a cortar as arestas, a mudar, a superar as falhas, a dedicar-se ao outro até mesmo de forma sacrificial. Isto fica claro quando lemos Efésios 5:25: "Maridos, amai cada um a sua mulher como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela". O amor de Cristo implicou em entrega total de sua vida, e assim deve ser o amor do marido por sua esposa.
Nada disso é fácil, e supera a visão romantizada de que o amor é um mar de rosas, uma vivência plena de felicidade, isento de sofrimentos e sacrifícios. Somos incentivados pela nossa cultura a desejar relacionamentos que preencham os nossos vazios e carências, mas não nos falam da contrapartida disso tudo. Esperamos receber mais do que dar, nos realizarmos mais do buscarmos a realização do outro. Nossa cultura individualista e egocêntrica não nos prepara para pensarmos no bem-estar do outro em detrimento do nosso. Não fomos criados para sermos altruístas.
Mas se amar exige tanta dedicação e esforço e altas doses de sacrifício, existe a recompensa maior de fazer tudo isso da forma mais prazerosa possível. Sim, porque quando se ama de verdade fazer o outro feliz torna-se nosso maior contentamento.
Em Isaías 53:11, o profeta afirma que Cristo viu o fruto do seu penoso trabalho na cruz e se alegrou, ou seja, a despeito de toda humilhação e dor que sentiu ao ser morto na cruz do calvário, Ele se alegrou imensamente pois nos viu, seus filhos amados e agora remidos por Seu sangue.
Quando se ama de verdade, encaramos todos os sacrifícios que fazemos com alegria e contentamento. Encaramos as provas como formas de amadurecermos e nos tornarmos melhores, de lapidarmos nosso relacionamento. E acredite, sempre haverão aspectos a serem reavaliados e lapidados, pois o ser humano está em constante processo de mutação. E se mudamos, a forma como nos vemos e vemos o outro também muda.
Por isso, o amor precisa ser uma construção contínua e ininterrupta. Por isso usa-se frequentemente a figura de um jardim para se referir ao amor. Parece clichê mas é verdade. Assim como o jardim, o amor precisa ser cuidado. Regado, podado, colocado adubo.
É um grande desafio amar. Até pouco tempo eu acreditava que amar era apenas sentir meu coração bater mais forte quando pensasse na pessoa amada. Isso faz parte, e é importante. As emoções, ah, elas são fundamentais e não podemos deixar que elas esmoreçam (a parte do "regar" e do "adubar" o jardim). Mas a cada dia aprendo que amar é muito mais que sentir ... que querer ... que desejar ... é um exercício contínuo de entender o outro e colocar-se no seu lugar e viver para fazer os dias dele felizes.
Será que consigo ? Só o que sei é que tenho pedido a Deus sabedoria. Que Ele norteie meus passos e me dê discernimento. E, sobretudo, que Ele seja a base do meu amor, porque se Ele não me amasse e se eu não o amar, nunca serei capaz de compreender e viver o verdadeiro amor.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Vestido Ideal

Acho que toda mulher no fundo sonha ou já sonhou algum dia em se casar ... E se preparar para casar é um sonho mesmo ! Quando somos pedida em casamento pelo homem da nossa vida começamos a imaginar o "GRANDE DIA": a cerimônia, a festa, os convidados, as músicas que irão tocar, a decoração, o bouquet, e, claro, O VESTIDO DE NOIVA !

Algumas mulheres não acham que este último seja o quesito mais importante, e realmente há muitas outras coisas realmente fundamentais que fazem parte deste momento: nossa família ao nosso lado, amigos, a benção de Deus ao casal, os laços de união, de afeto, o amor selado ...

Mas a noiva sempre foi e continua sendo a GRANDE ATRAÇÃO de um casamento, por isso ela quer estar linda e perfeita ! E, por isso, o vestido de noiva sempre é tão especial e nós queremos encontrar aquele para CHAMAR DE NOSSO, aquele que quando a gente bate os olhos pensa: "É esse !".

Hoje eu tive essa experiência. Me senti uma verdadeira princesa provando todas aqueles vestido deslumbrantes, imaginando como vou estar no meu GRANDE DIA, ávida para encontrar aquele que seria meu VESTIDO IDEAL.

Engraçado, a gente chega na loja meio que de cabeça feita, com o modelo pretendido em mente, e a gentil e paciente vendedora vem trazendo aquele monte de vestidos para você provar um por um até se apaixonar por um deles. É divertido tantas trocas de roupa, a indecisão louca que a gente sente, como a gente consegue achar cada um mais bonito que o outro, a cara da mãe feliz mas já impaciente, a vendedora dizendo "podemos fazer ajustes e mudanças", e você ali, não se importando com mais nada, só com a grande escolha que tem pela frente. E é um desafio, sabia ?! Bate insegurança, medo de se arrepender depois, dúvidas, dúvidas, oh dúvidas !

Mas aí chega aquela hora mágica que você enfim experimenta AQUELE VESTIDO, aquele que faz seu coração bater mais forte e te leva a viajar ainda mais. A se ver entrando na igreja, linda e apaixonada por aquele noivo que te espera cheio de amor e ternura no olhar. Quando você encontra o VESTIDO IDEAL é essa sensação que temos, "ele vai se apaixonar por mim novamente quando me ver assim" !

Parece insano tudo isso ? Não sei, talvez futil para alguns ... o mundo com tantos problemas e eu ali totalmente concentrada em um vestido de noiva ! Mas puxa, é um momento único no qual esperei por tanto tempo ! Quero vivê-lo na sua plenitude !

Bem, não resisti ! Precisava externar o que senti e ainda estou sentindo, dizer o quanto estou contente e que sim, eu encontrei hoje meu VESTIDO IDEAL e não vejo a hora de usá-lo e ir ao encontro do grande amor da minha vida !

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Era da dercartabilidade

Muitas coisas mudaram desde a época dos nossos avós. Eles não tinham e-mail, orkut twitter ou MSN, não ouviam música em seus Ipods, não mandavam torpedos, muito menos criavam avatares em uma “second life”. No tempo deles, não existia também talheres, copos ou pratos descartáveis. Garrafa peti, então, nem pensar. Na época deles o abridor de garrafas era útil ! A praticidade do “usou jogou fora” não fazia parte do universo deles. Imagina só que trabalho deveria ser dar festas em casa, ter que lavar aquela louça toda depois que os convidados fossem embora.

É, realmente deviam ser tempos difíceis !

O nosso, ao contrário, tornou tudo mais simples. As câmeras digitais permitem que a gente descarte as fotos que não ficaram boas. Nos Ipods a gente grava e depois desgrava as músicas e vídeos que já nos enjoaram e voltamos a gravar tudo novo. Os e-mails a gente lê e depois joga na “lixeira”, ou às vezes nem se dá o trabalho de ler, é lixeira direto. Com o advento dos pendrives (que já substituíram os CD-R´s e DVD-R´s) a gente pode gravar, desgravar e regravar dados. No orkut a gente deleta scraps (segundo os adeptos deste modismo, é pra garantir a privacidade. Nada mais contraditório do que querer manter a privacidade no orkut !). Se alguém nos mandar um spam ou vírus a gente apaga, e até contatos desagradáveis ou “ex” a gente deleta também. No MSN o recurso do bloqueio ou da exclusão nos torna livres para decidir se queremos continuar mantendo contato com aquele “contato mala”. Como que em um passe de mágica a gente “se livra” do problema. Simples, não ?!

Com todos estes exemplos estamos convencidos de que viver nos dias de hoje é bem melhor do que nos tempos dos nossos avós, não é ?! Ah, deveria ser chato encontrar a “turma” na pracinha à noite, bater altos papos ao vivo e a cores, paquerar o “broto” através de troca de olhares, mandar um bilhetinho de papel na sala de aula pro amigo, precisar ir até a casa das pessoas quando se quisesse conversar, ou seja, manter “relações reais” ao invés de “relações virtuais”.

Relações virtuais são mais superficiais, menos íntimas, menos “pessoais”. Relações virtuais são mais fáceis de serem deixadas de lado, ninguém é tão cobrado, nem precisa usar de muita sinceridade. Pode-se até usar um rosto falso (quem já não foi enganado por algum “fake” ?!). Relações virtuais são, na maioria das vezes, efêmeras. São relações líquidas. Relações virtuais são facilmente descartadas. Para tanto, basta um clique, um único clique.

Relações reais dão muito mais trabalho. Precisam ser cuidadas. É preciso tempo e dedicação (tempo ?! E alguém ainda tem isso ?!). Elas requerem esforço. Relações reais são mais densas, trazem consigo maior comprometimento. Podem causar frustrações, decepções, amarguras. Relações reais revelam nossas inseguranças e medos, muitas vezes nos expõe. E sim, são muito mais difíceis de serem “deletadas”. Estamos falando então de correr riscos. E alguém hoje quer correr risco se podemos optar pela segurança do ostracismo virtual ?!

É, somos “privilegiados”. E viva a era da dercartabilidade !


By Renata Rocha.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Soneto da Paternidade

Bem, como o aniversário do meu pai tá chegando (é dia 18), resolvi postar aqui o soneto que fiz pra ele de dia dos pais no ano passado. Chama-se "Soneto da paternidade". Claro, para quem tem um pai poeta, não poderia ter dado outro presente ! (rs). E que bom que ele aprovou a "aventura" da filha aprendiz.


Soneto da Paternidade


Ser pai é assumir a divina tarefa de proteger
É estender os braços fortes para os filhos sustentar
É ser aquele que para os filhos tudo é capaz de fazer
Assim como os heróis, pode até voar !

Ser pai é ser conselheiro, companheiro, amigo
É estar ao lado do filho nos momentos de alegria e do prantear
É dizer carinhosamente ao filho: "estarei sempre contigo"
Não importa por qual caminho ele andar

Pai deve ser aquele de conduta exemplar
Para que o filho olhe e diga: "quero ser como meu pai um dia !"
Ensinar ao filho o caminho que ele deve andar

Sendo como um farol que sempre o guia
Pois ser pai exige dos homens muito amor e dedicação
Pai não carrega os filhos na barriga, mas os leva pra sempre no coração.


domingo, 20 de junho de 2010

This time for Africa

O hit da copa 2010 interpretado pela cantora Shakira no show de abertura dos jogos é a música: "This time for Africa". A canção tem uma batida super contagiante e o refrão parece ecoar em nossos ouvidos, assim como o som das vuvuzelas.

A tradução literal do título desta música diz: "Desta vez para a África", mas podemos também traduzir como "A vez da África". Realmente, após 80 anos desde a primeira copa do mundo, o torneio realiza-se em solo africano, e todo o continente, não apenas a África do Sul, sede dos jogos, têm motivos para festejar. O povo africano tem mostrado sua cara: povo festivo, alegre, hospitaleiro, sorridente, cheio de ginga, de animação, de cores. Um povo "fênix", que parece possuir a incrível capacidade de renascer mais fortalecido das suas lutas e dores.


Todo este clima de festa nos revela o lado "
up" de um continente tão sofrido. A copa do mundo está levando ao resto do planeta uma imagem positiva da África, e é bom que isso aconteça. O que penso é se a "vez da África", como diz na canção mencionada anteriormente, irá perdurar após o dia 11 de julho (dia da final da copa). Quando realmente iremos voltar nossos olhos para aquele continente, não apenas para enxergar seus pontos positivos mas para descortinar suas mazelas ? Quando os países centrais irão efetivamente investir em políticas de combate a proliferação do vírus da AIDS, que a cada dia se espalha impediesa e vertiginosamente nos países africanos ? Quando deixarão de explorar as riquezas naturais daquele país ? Quando as entidades de direitos humanos irão intervir na questão da miséria e da fome que dizima milhares de africanos todos os anos ? Eu me pergunto, quando será realmente a "vez da África" ?

Que o som das vuvuzelas seja mais que a expressão da festa e da alegria dos africanos mas seja também o grito de socorro de um continente tão sofrido e historicamente explorado pelos povos "colonizadores". Que fiquemos imbuídos do espírito de "ubuntu", palavra originária dos povos Banto que quer dizer "humanidade para com os outros", e assim enxerguemos os problemas da África como problemas de todos nós seremos humanos.

Espero que a copa do mundo seja uma oportunidade para voltarmos nossos olhos e corações para a África, e que a frase final da canção "We´re all Africa" (somos todos África) seja uma realidade para o mundo inteiro !

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Refletindo sobre a vida

A vida é cheia de altos e baixos ...
Momentos que elevam aos céus, e momentos que nos sentimos no chão ...
Alegria e dor estão sempre se alternando ...
Quando achamos que estamos no caminho certo, algo nos faz retornar a estaca zero ... e aí é preciso saber recomeçar ...
Riso e lágrimas às vezes caminham lado a lado ...
Têm coisas que são simplesmente inexplicáveis ...
Têm horas que é preciso reconhecer que falhamos ...
Têm horas que é preciso abrir mão ...
Abrir mão e não tentar são coisas distintas ...
Ser sincero consigo mesmo é fundamental ... Se mentimos para nós mesmos, não conseguiremos ser transparentes com o outro ...
Nosso coração é enganoso ... mas não tem engano é vão ...
Tanto heróis quanto pessoas perfeitas são meros mitos ...
Errar é humano, mas insistir no erro é no mínimo falta de bom senso ...
A criticidade precisa incidir primeiro em nós mesmos ...
Fazer escolhas é necessário, mas às vezes elas nos fazem ...
Perder às vezes é inevitável, mas é bom quando reconhecemos que lutamos para vencer ...
Reconhecer um fim é tão importante quanto enxergarmos um começo ...
Reconhecer um erro é o primeiro passo para o corrigirmos ...
Não sonhar é sinônimo de morrer ...
Têm coisas que compreendemos muito tempo depois que acontecem ...
E têm coisas que nunca compreenderemos ...
Ingênuo é aquele que pensa que sabe tudo ...
Perguntar não é sinônimo de ignorância, e sim de humildade ...
Acreditem: gestos contam muito mais do que palavras ...
Acredite: dar é melhor do que receber ...
É melhor ser generoso do que rico ...
Melhor ter Deus no pouco do que o muito sem Deus ...
Por maior que seja a dor, ela passa, não importa quanto tempo leve ...
Ter medo é inerente ao ser humano ...
Caminhar sozinho é triste e desalentador ...
Sentir a presença de Deus é a melhor dádiva que o homem pode receber ...
O melhor investimento é quando investimos em pessoas ...

sábado, 15 de maio de 2010

Chuva de mudanças

Eu sempre achei que o barato da vida era sua imprevisibilidade. Se tudo fosse sempre igual, dia após dia, a vida seria de uma monotonia dilacerante. Uma vida sem graça, sem a angústia da ansiedade e a alegria da surpresa. Uma vida sem ritmo, sem cheiro, sem cor.
Fico feliz em poder afirmar que de um tempo pra cá minha vida tem sido um turbilhão de reviravoltas e surpresas, expectativas e novidades que às vezes trazem ansiedade e medo, mas em grande parte traz muita felicidade. Meus "vinte e muitos anos" têm sido realmente agitados !
Mudança de planos, de ambiente de trabalho, de prioridades, pessoas que vêm e que vão (mas que ficam pra sempre gravadas no coração e nas boas lembranças), sentimentos que mudam, que intensificam, que se confirmam, vontades que dão e passam e vontades que dão e espero que não passem nunca, sonhos compartilhados, alguns já realizados e outros tão próximos de se realizar. Momentos marcantes, experiências novas, lugares inesquecíveis, dores que doeram muito mas sararam e viraram belas cicatrizes.
Estou aprendendo com cada passo que dou e, sobretudo, com cada tropeço. Sinto que me torno mais forte a cada dia e que preocupações de outrora já não me tiram o sono. Como é bom a gente amadurecer, a gente fica mais tolerante, paciente, com o mundo e com nós mesmos. É claro que as responsabilidades aumentam, cada vez nos tornamos mais responsáveis pelas nossas escolhas. Mas eu quero a cada dia me culpar menos pelas que trazem arrependimento e saber reconhecer o lado bom que há em tudo que acontece conosco, mesmo as coisas ruins.
Confesso que todo este processo me amedronta. Saber que em breve terei minha casa, família, que preciso ser sábia para construir ao lado do meu marido um lar de verdade. Mas sabe, já não tenho mais tanto medo disso. Por crer que tudo na vida acontece no tempo certo acho que enfim estou alcançando maturidade para viver essas experiências. De repente sinto uma coragem de voar mais alto, de sonhar, de imaginar o inimaginável.
Espero poder dançar nessa chuva de mudanças e não desperdiçá-la ...