quinta-feira, 25 de outubro de 2007
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Soneto
Se por infame dúvida deixamos de vivenciar
Os gozos e dissabores de amores que nos acerte
Indignos nos tornamos sequer de sonhar
Pois o medo nos acorrentou a uma existência inerte.
O zelo com que te guardas, na verdade te aprisiona
A existência protegida torna-se claudicante
A letargia demasiada se faz sua dona
E até mesmo o mais simples gesto mostra-se hesitante
Podes então viver para sempre escondido
Como quem opta por seguir solitário
Mas permaneces em si mesmo coagido
E se torna do medo eterno depositário
Ou podes ainda dos seus temores esquecer
Como quem ousa plenamente viver.
By Renata Rocha.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
O distraído nela tropeçou.
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, ansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já David, matou Golias e Michelângelo extraiu-lhe a mais bela escultura...
E em todos esses casos,
A diferença não esteve na pedra, mas no homem!
(autor desconhecido)
Desalento (Vinícius de Morais)
Diz assim
Que eu chorei
Que eu morri
De arrependimento
Que o meu desalento
Já não tem mais fim
Vai e diz
Diz assim
Como sou
Infeliz
No meu descaminho
Diz que estou sozinho
E sem saber de mim
Diz que eu estive por pouco
Diz a ela que estou louco
Pra perdoar
Que seja lá como for
Por amor
Por favor
É pra ela voltar
Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu rodei
Que eu bebi
Que eu caí
Que eu não sei
Que eu só sei
Que cansei, enfim
Dos meus desencontros
Corre e diz a ela
Que eu entrego os pontos
Eu era tão feliz
E não sabia, amor
Fiz tudo o que eu quis
Confesso a minha dor
E era tão real
Que eu só fazia fantasia
E não fazia mal
E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu voe
E o que passou, calou
E o que virá, dirá
E só ao seu lado, seu telhado
Me faz feliz de novo
O tempo vai passar
E tudo vai entrar no jeito certo de nós dois
As coisas são assim
E se será, será
Pra ser sincero, meu remédio é te amar, te amar
Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo o que eu sinto longe de você
terça-feira, 9 de outubro de 2007
sábado, 6 de outubro de 2007
Se ela me deixou a dor
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dor
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha ou já tem um outro bem
Se ela me deixou a dor é minha, a dor é de quem tem
O meu troféu é o que restou
É o que me aquece semme dar calor
Se eu não tenho o meu amor
Eu tenho a minha dor
A sala, o quarto, a casa está vazia,
A cozinha, o corredor
Se nos meus braços
Ela não se aninha
A dor é minha, a dor
O meu lençol é o cobertor
É o que me aquece sem me dar calor
Depois de ter você
Pra que querer saber que horas são ?
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve uma canção
Como essa ...
Depois de ter você
Poetas para que ?
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas
Para que servem as ruas
Depois de ter você ...
Depois de ter você ...