Quando decido escrever sobre determinado assunto é porque fui inspirada por algo ou por alguém, ou pelas duas coisas. A razão de eu ter sentido o desejo de refletir com vocês sobre um tema tão complexo é porque tenho vivido algumas experiências nas últimas semanas sobre o que significa amar e ser amado, e estas têm sido também alimentadas pelo que tenho lido no livro "As quatro estações do casamento", de Gary Chapman (famoso escritor cristão e conselheiro de casais).
Em primeiro lugar, gostaria de afirmar que o amor é um processo, logo, perpassado por avanços e retrocessos, dúvidas e certezas, amadurecimento, recrudescimento. Não é simplesmente um "sentimento", algo que se restringe as emoções, mas ganha materialidade nas nossas ações, gestos e atitudes. Ele se prova no cotidiano da relação e deve pautar nossas escolhas. Deve pautar a forma como vemos o outro e o que somos capazes de fazer por esse outro.
O que percebo é que o amor não espera perfeição, mas espera entrega. Amar de verdade requer estar disposto a cortar as arestas, a mudar, a superar as falhas, a dedicar-se ao outro até mesmo de forma sacrificial. Isto fica claro quando lemos Efésios 5:25: "Maridos, amai cada um a sua mulher como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela". O amor de Cristo implicou em entrega total de sua vida, e assim deve ser o amor do marido por sua esposa.
Nada disso é fácil, e supera a visão romantizada de que o amor é um mar de rosas, uma vivência plena de felicidade, isento de sofrimentos e sacrifícios. Somos incentivados pela nossa cultura a desejar relacionamentos que preencham os nossos vazios e carências, mas não nos falam da contrapartida disso tudo. Esperamos receber mais do que dar, nos realizarmos mais do buscarmos a realização do outro. Nossa cultura individualista e egocêntrica não nos prepara para pensarmos no bem-estar do outro em detrimento do nosso. Não fomos criados para sermos altruístas.
Mas se amar exige tanta dedicação e esforço e altas doses de sacrifício, existe a recompensa maior de fazer tudo isso da forma mais prazerosa possível. Sim, porque quando se ama de verdade fazer o outro feliz torna-se nosso maior contentamento.
Em Isaías 53:11, o profeta afirma que Cristo viu o fruto do seu penoso trabalho na cruz e se alegrou, ou seja, a despeito de toda humilhação e dor que sentiu ao ser morto na cruz do calvário, Ele se alegrou imensamente pois nos viu, seus filhos amados e agora remidos por Seu sangue.
Quando se ama de verdade, encaramos todos os sacrifícios que fazemos com alegria e contentamento. Encaramos as provas como formas de amadurecermos e nos tornarmos melhores, de lapidarmos nosso relacionamento. E acredite, sempre haverão aspectos a serem reavaliados e lapidados, pois o ser humano está em constante processo de mutação. E se mudamos, a forma como nos vemos e vemos o outro também muda.
Por isso, o amor precisa ser uma construção contínua e ininterrupta. Por isso usa-se frequentemente a figura de um jardim para se referir ao amor. Parece clichê mas é verdade. Assim como o jardim, o amor precisa ser cuidado. Regado, podado, colocado adubo.
É um grande desafio amar. Até pouco tempo eu acreditava que amar era apenas sentir meu coração bater mais forte quando pensasse na pessoa amada. Isso faz parte, e é importante. As emoções, ah, elas são fundamentais e não podemos deixar que elas esmoreçam (a parte do "regar" e do "adubar" o jardim). Mas a cada dia aprendo que amar é muito mais que sentir ... que querer ... que desejar ... é um exercício contínuo de entender o outro e colocar-se no seu lugar e viver para fazer os dias dele felizes.
Será que consigo ? Só o que sei é que tenho pedido a Deus sabedoria. Que Ele norteie meus passos e me dê discernimento. E, sobretudo, que Ele seja a base do meu amor, porque se Ele não me amasse e se eu não o amar, nunca serei capaz de compreender e viver o verdadeiro amor.