quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Era da dercartabilidade

Muitas coisas mudaram desde a época dos nossos avós. Eles não tinham e-mail, orkut twitter ou MSN, não ouviam música em seus Ipods, não mandavam torpedos, muito menos criavam avatares em uma “second life”. No tempo deles, não existia também talheres, copos ou pratos descartáveis. Garrafa peti, então, nem pensar. Na época deles o abridor de garrafas era útil ! A praticidade do “usou jogou fora” não fazia parte do universo deles. Imagina só que trabalho deveria ser dar festas em casa, ter que lavar aquela louça toda depois que os convidados fossem embora.

É, realmente deviam ser tempos difíceis !

O nosso, ao contrário, tornou tudo mais simples. As câmeras digitais permitem que a gente descarte as fotos que não ficaram boas. Nos Ipods a gente grava e depois desgrava as músicas e vídeos que já nos enjoaram e voltamos a gravar tudo novo. Os e-mails a gente lê e depois joga na “lixeira”, ou às vezes nem se dá o trabalho de ler, é lixeira direto. Com o advento dos pendrives (que já substituíram os CD-R´s e DVD-R´s) a gente pode gravar, desgravar e regravar dados. No orkut a gente deleta scraps (segundo os adeptos deste modismo, é pra garantir a privacidade. Nada mais contraditório do que querer manter a privacidade no orkut !). Se alguém nos mandar um spam ou vírus a gente apaga, e até contatos desagradáveis ou “ex” a gente deleta também. No MSN o recurso do bloqueio ou da exclusão nos torna livres para decidir se queremos continuar mantendo contato com aquele “contato mala”. Como que em um passe de mágica a gente “se livra” do problema. Simples, não ?!

Com todos estes exemplos estamos convencidos de que viver nos dias de hoje é bem melhor do que nos tempos dos nossos avós, não é ?! Ah, deveria ser chato encontrar a “turma” na pracinha à noite, bater altos papos ao vivo e a cores, paquerar o “broto” através de troca de olhares, mandar um bilhetinho de papel na sala de aula pro amigo, precisar ir até a casa das pessoas quando se quisesse conversar, ou seja, manter “relações reais” ao invés de “relações virtuais”.

Relações virtuais são mais superficiais, menos íntimas, menos “pessoais”. Relações virtuais são mais fáceis de serem deixadas de lado, ninguém é tão cobrado, nem precisa usar de muita sinceridade. Pode-se até usar um rosto falso (quem já não foi enganado por algum “fake” ?!). Relações virtuais são, na maioria das vezes, efêmeras. São relações líquidas. Relações virtuais são facilmente descartadas. Para tanto, basta um clique, um único clique.

Relações reais dão muito mais trabalho. Precisam ser cuidadas. É preciso tempo e dedicação (tempo ?! E alguém ainda tem isso ?!). Elas requerem esforço. Relações reais são mais densas, trazem consigo maior comprometimento. Podem causar frustrações, decepções, amarguras. Relações reais revelam nossas inseguranças e medos, muitas vezes nos expõe. E sim, são muito mais difíceis de serem “deletadas”. Estamos falando então de correr riscos. E alguém hoje quer correr risco se podemos optar pela segurança do ostracismo virtual ?!

É, somos “privilegiados”. E viva a era da dercartabilidade !


By Renata Rocha.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Soneto da Paternidade

Bem, como o aniversário do meu pai tá chegando (é dia 18), resolvi postar aqui o soneto que fiz pra ele de dia dos pais no ano passado. Chama-se "Soneto da paternidade". Claro, para quem tem um pai poeta, não poderia ter dado outro presente ! (rs). E que bom que ele aprovou a "aventura" da filha aprendiz.


Soneto da Paternidade


Ser pai é assumir a divina tarefa de proteger
É estender os braços fortes para os filhos sustentar
É ser aquele que para os filhos tudo é capaz de fazer
Assim como os heróis, pode até voar !

Ser pai é ser conselheiro, companheiro, amigo
É estar ao lado do filho nos momentos de alegria e do prantear
É dizer carinhosamente ao filho: "estarei sempre contigo"
Não importa por qual caminho ele andar

Pai deve ser aquele de conduta exemplar
Para que o filho olhe e diga: "quero ser como meu pai um dia !"
Ensinar ao filho o caminho que ele deve andar

Sendo como um farol que sempre o guia
Pois ser pai exige dos homens muito amor e dedicação
Pai não carrega os filhos na barriga, mas os leva pra sempre no coração.