sexta-feira, 14 de setembro de 2007

"Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decorre sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores".
(William Shakespeare)

Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
(Mário Quintana)
Quantas vezes a gente,em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão,por toda parte,os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
(Mário Quintana)
Somos donos de nossos atos,
mas não donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fazemos,
mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos...
Atos sao pássaros engailoados, sentimentos são passaros em vôo.
(Mário Quintana)

quinta-feira, 13 de setembro de 2007


"Prefiro tentar e falhar, do que me conformar e ver a vida passar. Prefiro tentar, ainda que em vão, do que sentar-me e fazer nada até o final. Prefiro num dia triste na chuva caminhar, do que em casa me esconder. Prefiro ser feliz, embora louco, do que em conformidade viver." (Martin Luther King)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

É Rir Pra Não Chorar (Jota Quest)

Tô pensando muito sério
Em mudar meu raciocínio
Tô querendo ficar zen
Mas não tenho patrocínio
Falta o líquido e o certo
Falta até água da chuva
Pra lavar essa sujeira
Pra levar essa minha busca
Eu sei que tenho que ir assim
Não vou ficar parado aqui
Sem fazer nada
Eu te aconselho à vir também
Porque já não dá mais pra deixar prá lá
Tem gente que tá puro lixo
E quem tá com a mão mais suja
O empresário ou o político
O acusado ou quem acusa
Eu peço a atenção ao povo
Quando for eleger de novo
Se lembrem de tudo
Que pensem no futuro

(coro 4x)Ah Ah Ah Ah
É rir pra não chorar

É que agora veio à tona
O que já tava acontecendo
Acabou não tem mistério
O que estavam escondendo
Não se sabe de onde vem
Só que é muita grana suja
Dividiram entre eles
O que era de outros, meu
Eu sei que eu devo ir assim
Não vou ficar parado aqui
Sem fazer nada
E eu te aconselho a vir também
Por que já não dá mais pra deixar pra lá
Não é possível que essa troup
Depois dessa saia impune
Que senão Deus nos ajude
Que eu tenha força e atitude
Eu peço a atenção ao povo
Quando for eleger de novo
Se lembrem de tudo
E pensem no fututo

(coro 4x)
Ah Ah Ah Ah
É rir pra não chorar

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Crônica sobre a paixão

PAIXÂO, BEM QUE NÂO SE EXPLICA !


Olha, realmente não dá pra entender essa “coisa” que as pessoas chamam de paixão. Aliás, não há nada mais reificante que tornar algo abstrato como os sentimentos em “coisas”, dando-lhes características que pertencem a nós seres humanos. Talvez porque nossos sentimentos nada mais são do que a externalização dos nossos instintos e da nossa natureza, denotando quem somos. Por isso às vezes dizemos, “a paixão é impiedosa”, “a paixão não escolhe suas vítimas”, “a paixão deixa os homens cegos”, ..., o que me leva também a ficar tentada a aderir a esta tendência coisificadora (aliás, me perdoem, mas farei isso em vários momentos desta crônica) e afirmar, “como essa tal paixão é poderosa!”.
Que tentativa mais vã esta do ser humano. Por mais que se viva nunca será possível encontrar uma explicação plausível para a paixão. A inteligibilidade do homem é limitada, portanto, entendermos a paixão é tão impossível quanto sabermos porque temos cinco dedos em cada mão, e não seis ou sete.
Creio que quando se trata de paixão não há como não se desviar um pouco para os caminhos da irracionalidade, isso mesmo, ser alvo da paixão implica necessariamente em correr riscos, em agir de forma inusitada, imprevisível, até mesmo insana. Quando a paixão surge, diga-se de passagem, na maioria das vezes de forma inesperada, nos deixa totalmente indefesos, estupefatos, ou, para usar a linguagem o mais coloquial possível, totalmente embasbacados, achando que o mundo está com um colorido diferente.
Aliás, o imenso mundo globalizado torna-se minúsculo, do tamanho da pessoa alvo da nossa transloucada paixão. Só temos olhos para ela, só pensamos nela, às 24 horas do nosso dia passam a se resumir em imaginar onde a pessoa amada está, no que ela está pensando, o que ela está fazendo, se ela já almoçou etc. Quando apaixonados, nos pegamos ouvindo as mais bregas músicas, assistindo todos os “filmes água-com-açúcar” que encontramos na locadora, desenhando corações na capa do caderno ou nos vidros sujos dos carros, admirando as estrelas, achando a lua cheia mais cheia do que nunca ! Sem motivo algum nos pegamos sorrindo, só por ter lembrado de algo totalmente sem graça que o ser amado disse, que aos ouvidos do apaixonado soa como a mais hilariante das piadas. Diversas pesquisas promovidas por cientistas de várias partes do mundo tentam decifrar as reações fisiológicas e psíquicas dos apaixonados. A paixão nos faz produzir serotonina, afirma uns, o hormônio que nos gera prazer e sensação de bem-estar. Esbarrar casualmente com o amado no elevador pode fazer aumentar a adrenalina no nosso organismo, o que acelera o batimento cardíaco, faz o rosto enrubescer, a boca ficar seca e as pernas tremerem.
Bem, tantas explicações científicas podem dar um toque mais racional à paixão, pois não é isso que busca o mundo das ciências, dar racionalidade àquilo que não é racional ? Pode parecer piegas, mas prefiro continuar acreditando que há muito mais em relação à paixão do que possa crer a nossa vã filosofia, parafraseando o grande escritor inglês William Shakespeare. Assim como afirmou outro grande pensador: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”.
E ainda que reclamemos das astutas armadilhas da paixão, que é capaz de nos tornar cegos e bobos, sempre torcemos para que ela bata à nossa porta. Quando ela nos causa dor e sofrimento a culpamos por todos os nossos males, esbravejamos contra ela e juramos nunca mais lhe abrir a porta do nosso frágil coração. Atitudes ingênuas do ser humano, pois a paixão não avisa quando vem. Não, ela não telefona, não manda e-mail, nem sequer um sinal de fumaça. E se queremos evitá-la é melhor que desistamos da vida. Pois onde há um coração que bate há um trem de pouso para este sentimento. E isso sem distinção alguma de idade, sexo, etnia, credo religioso, e qualquer outra. Ao contrário de nós seres humanos a paixão não faz acepção de pessoas.
Sem nos preocuparmos com os motivos que nos levam a nos apaixonarmos, muito menos em explicar o que acontece quando estamos inebriados por este sentimento, preferível é que o experimentemos sem temer todas as reações e emoções que a paixão proporciona ao ser humano. Dane-se se estamos sendo irracionais. A imprevisibilidade da vida nos permite vivermos algo que simplesmente não somos capazes de explicar. Mas que simplesmente adoramos e ansiamos cotidianamente viver.


By Renata Rocha.

A Era da descartabilidade

A Era da dercartabilidade

Muitas coisas mudaram desde a época dos nossos avós. Eles não tinham e-mail, orkut ou MSN, não ouviam música em seus Ipods, não mandavam torpedos, muito menos criavam avatares em uma “second life”. No tempo deles, não existia também talheres, copos ou pratos descartáveis. Garrafa peti, então, nem pensar. Na época deles o abridor de garrafas era útil ! A praticidade do “usou jogou fora” não fazia parte do universo deles. Imagina só que trabalho deveria ser dar festas em casa, ter que lavar aquela louça toda depois que os convidados fossem embora.

É, realmente deviam ser tempos difíceis !

O nosso, ao contrário, tornou tudo mais simples. As câmeras digitais permitem que a gente descarte as fotos que não ficaram boas. Nos Ipods a gente grava e depois desgrava as músicas e vídeos que já nos enjoaram e voltamos a gravas tudo novo. Os e-mails a gente lê e depois joga na “lixeira”, ou às vezes nem se dá o trabalho de ler, é lixeira direto. Com os CD-R´s e DVD-R´s a gente pode gravar, desgravar e regravar dados. No orkut a gente deleta scraps (segundo os adeptos deste modismo, é pra garantir a privacidade. Nada mais contraditório do que querer manter a privacidade no orkut !). Se alguém nos mandar um spam ou vírus a gente apaga, e até contatos desagradáveis ou “ex” a gente deleta também. No MSN o recurso do bloqueio ou da exclusão nos torna livres para decidir se queremos continuar mantendo contato com aquele “contato mala”. Como que em um passe de mágica a gente “se livra” do problema. Simples, não ?!

Com todos estes exemplos estamos convencidos de que viver nos dias de hoje é bem melhor do que nos tempos dos nossos avós, não é ?! Ah, deveria ser chato encontrar a “turma” na pracinha à noite, bater altos papos ao vivo e a cores, paquerar o “broto” através de troca de olhares, mandar um bilhetinho de papel na sala de aula pro amigo, precisar ir até a casa das pessoas quando se quisesse conversar, ou seja, manter “relações reais” ao invés de “relações virtuais”.
Relações virtuais são mais superficiais, menos íntimas, menos “pessoais”. Relações virtuais são mais fáceis de serem deixadas de lado, ninguém é tão cobrado, nem precisa usar de muita sinceridade. Pode-se até usar um rosto falso (quem já não foi enganado por algum “fake” ?!). Relações virtuais são, na maioria das vezes, efêmeras. São relações líquidas. Relações virtuais são facilmente descartadas. Para tanto, basta um clique, um único clique.
Relações reais dão muito mais trabalho. Precisam ser cuidadas. É preciso tempo e dedicação (tempo ?! E alguém ainda tem isso ?!). Elas requerem esforço. Relações reais são mais densas, trazem consigo maior comprometimento. Podem causar frustrações, decepções, amarguras. Relações reais revelam nossas inseguranças e medos, muitas vezes nos expõe. E sim, são muito mais difíceis de serem “deletadas”. Estamos falando então de correr riscos. E alguém hoje quer correr risco se podemos optar pela segurança do ostracismo virtual ?!

É, somos “privilegiados”. E viva a era da dercartabilidade !


By Renata Rocha.



Ovinos pela própria natureza

Ovinos pela própria natureza
(JOÃO UBALDO RIBEIRO)

Longe de mim aceitar a velha tese de que o Brasil é um país onde os conflitos sociais são resolvidos em paz, na base do jeitinho e assim por diante. Nossa História, de Canudos ao Contestado, está aí mesmo e não me deixa mentir. Ao mesmo tempo, é óbvio que nos comportamos — nós, a chamada classe média — como uma carneirada sem rival. Resignamo-nos a tudo, até mesmo a sermos governados de maneira condescendente e, ao mesmo tempo, autoritária, entre mentiras, fraudes, hipocrisia e falsas alegações. Fico assim achando que, no fundo, estamos é satisfeitos com o que ocorre em nosso destino coletivo. Acostumamo-nos, por exemplo, à violência urbana e até aceitamos a tese de que ela tem exclusivamente raízes econômicas. Não é inteiramente correto. Tem raízes econômicas, certo, mas também tem raízes culturais muito fortes, eis que, se pobreza e miséria gerassem necessariamente criminalidade, a Índia e Bangladesh, para ficar somente em dois exemplos, seriam matadouros humanos, onde se assaltariam até templos religiosos, como já aconteceu aqui no Brasil — e vive acontecendo, com os geralmente chiques ladrões de imagens enriquecendo suas coleções à custa da pilhagem de igrejas. Mantemos uma natural subserviência à autoridade, a ponto de ficarmos chocadíssimos quando alguém se dirige a um governante, qualquer que seja o nível dele, de forma democrática e livre, como devia ser num regime onde, afinal, pelo menos na letra da lei, todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido. A autoridade precisa ser respeitada, é evidente, mas não na medida em que se avilte o cidadão. A autoridade, num estado de direito, é legítima porque fundada na vontade popular. Mas, entre nós, não. Nós nos comportamos muito mais como os súditos de um suserano medieval do que como cidadãos legítimos e detentores, conjuntamente, da soberania popular. Quando, faz algum tempo, publiquei aqui uma carta ao presidente da República, carta esta em que tive extremo cuidado para não desrespeitar a instituição e não bater abaixo da cintura, as pouquíssimas pessoas, entre literalmente milhares, que ficaram contra reprovavam o “desrespeito” ao presidente. Que desrespeito? Dizer, como cidadão livre e por acaso autor de uma coluna semanal, o que penso, dentro dos limites da civilidade, é algum desrespeito? Claro que não cometi nenhum desrespeito, apenas exerci um direito que não me foi concedido nem pelo presidente, nem por ninguém. Tanto eu como vocês temos direito à livre manifestação de opinião e à livre consciência. Chegaram até a dizer que eu invejava o presidente, como se eu me ressentisse do fato de, como ele, não sair me pavoneando pelo mundo afora, comentando seu país como se fosse um observador estrangeiro. Tenho inúmeras outras invejas, mas estas são benignas e fundadas na admiração que alimento, por exemplo, em relação a Shakespeare ou Rabelais. Quem acha que eu teria inveja do presidente está me entendendo pelo avesso, não tenho inveja nenhuma dele, a idéia chega a me parecer cômica. Tenho é pena do papel que ele desempenha na História de nosso país e que um dia vai ser visto na perspectiva adequada, até por quem confunde respeito com subserviência. Agora, sem nos revoltarmos ou nos escandalizarmos, vemos um partido integrante do governo revoltar-se porque o marido da doutora está sendo investigado pela Polícia Federal. Por quê? Não pode? Não se faz? Que é isso, onde estamos? Quer dizer que investigar denúncias e pistas contra alguém ligado ao poder é uma grave ofensa? Qualquer pessoa com mais de 200 gramas de cérebro há de concordar que quem não deve não teme e, mais ainda, que, se tudo fosse regular, a primeira providência dos ameaçados, da dra. Roseane a seu felizardo consorte, seria exigir que as investigações fossem ao fundo, para provar a alegada inocência sobre as alegadas culpas. E o governo, como se reconhecesse que aqui as coisas funcionam assim mesmo, não tem a coragem de dizer isso. Ou seja, mostra que, para os enquistados no poder, existe de fato uma realidade política e sociológica (desculpem a má palavra) onde o povo não pode, nem deve, interferir. Voltando ao que disse acima, isso não se faz, não está direito, direito é sustentar privilégios e prerrogativas inerentes ao exercício do poder. Não temos governantes, afinal; temos patrões, é segundo essa ótica que nos pautamos. Hoje, escandalosamente para quem saia um pouco do rebanho de carneiros que constituímos, os habitantes de grandes cidades do país convivem com a imoral epidemia de uma doença que poderia há muito estar sob controle e pela qual vários amigos meus foram atacados, alguns deles gravemente. Ninguém acha nada demais sair comprando velas especiais, ingerindo quilos de complexo B, besuntando-se de repelentes de insetos, tomando chá de folha de cravo-de-defunto e assim por diante. Já existem até prósperos negócios vicejando por causa do dengue, pois que, como sabemos, o que dá para rir dá para chorar, nunca falha. E onde ficam as irresponsabilidades testemunhadas, onde fica a nossa dignidade? Onde ficam os impostos por via dos quais nos depenam, de tudo quanto é jeito imaginável? Ficam num comentário de boteco ou outro, num solitário artigo de jornal ou outro. Continuamos a viver em pânico meio sublimado e rezando para que um mosquito infectado não nos pique, ou não pique família e amigos. É, carneirada somos, carneirada morreremos. Não “desrespeitaremos” a autoridade que nos desrespeita, não reagiremos contra nada. Até porque nos falta até mesmo o sentimento de rebanho. Triste verdade, mas a realidade é que, enquanto os problemas não nos atingem diretamente, damos pouca importância a eles, os outros que se virem. Quer dizer, pensando bem, não temos um comportamento tão ovino assim. Estamos um degrau abaixo, pensando bem mesmo. E, portanto, merecemos nosso destino, não há de que nos queixarmos. Podemos dar um “bé” humilde, de vez em quando. Imagino que isto é suficiente para muitas pessoas.

A Banalização do amor

Artigo: A banalização do amor
Publicada em 12/06/2007 às 15h02m
Por Benê França

Amor... Sentimento eterno enquanto dura, como dizia Vinícius de Moraes, a fim de caracterizar a ausência de permanência, a finitude dessa experiência humana ímpar. Por outro lado, amar indica uma eterna busca pela nossa outra metade, como dizia o poeta Aristófanes na obra "O Banquete", de Platão, para determinar a incessante procura desse outro "eu" que nós não sabemos onde está nem quem seja. Por conseguinte, há muitas correntes de pensamento que discordam, acreditando ser o amor ora duradouro, como nos dizem os poetas e os apaixonados, ora tão efêmero como a própria existência humana.
Na Idade Média, os escolásticos classificaram o amor como pecado; os pensadores modernos exaltaram-no, em virtude dos novos valores em ascensão; durante a Revolução Industrial, o matrimônio, meio para se ter prole e mão-de-obra barata, transforma o amor em algo entediante. Hoje, não tão diferente, ele é compreendido como um jurássico sentimento: reificado, transformou-se numa mercadoria, mero objeto descartável.
Amar e ser amado corresponde a uma busca intermitente que, de tão complexa, a primeira pessoa que encontramos já julgamos ser a nossa cara metade, o ser andrógino. Condenados, como escreveu Aristófanes, sentimo-nos separados, punidos por nossos ultrajes aos deuses olímpicos, embora o tempo todo desejássemos, nem que fosse por um curto período, o reencontro.
Atualmente, o amor foi banalizado, deixou de ser gratuidade para ser uma troca mercantil. Semelhante a um objeto, ele se transformou em um sentimento cobrado, que pode, estranhamente, ser comprado e, por conseguinte, substituído, como indica a rotatividade das relações amorosas. Assim, o amor contemporâneo, como os produtos perecíveis nas prateleiras dos supermercados, tem data de validade.
Ora, então, devemos amar ou não amar?
Amar e não ser amado é, indubitavelmente, um mal menor do que não tentar amar. Todavia, sendo gratuidade, melhor quem ama, ainda que não correspondido, do que quem, por insegurança, não procura amar. Porquanto, de acordo com o pensamento filosófico de Heráclito, tudo está em constante movimento e transformação; por conseguinte, quem não ama poderá ser amado, quem não é amado, poderá tentar amar, quem não é correspondido, poderá sê-lo, com todos os riscos que as tentativas implicam. Ademais, oferecer o nosso amor para quem não quer ser amado apenas potencializa a capacidade humana de arriscar-se. Ainda que não dê certo, o mais importante é que, como afirmaria Martin Buber, nós nos abrimos para o outro, sem temê-lo.
Sendo assim, uma pessoa pode dar e exigir o amor ou dar e esperar pacientemente a reciprocidade; exigido, cobrado, trocado, de forma subjacente se crê que ele é comercializável, portanto, com o tempo poderá ser substituído; a respeito daquele que dá e aguarda pacientemente a consumação recíproca dos amores, revela uma identidade eminentemente humana, caracterizada pelo espírito do risco.
Com efeito, melhor do que não tentar, sob o medo de se arrepender, é tentar e enfrentar todas as conseqüências, todas as renúncias requeridas pela vida a dois, haja vista que a beleza da existência humana reside aí: em um universo cheio de problemas, de incertezas e medos, o verdadeiro ser humano revela, por própria escolha, que não tem medo de tentar ser feliz.

(Benedito Luciano Antunes de França é Mestre em Filosofia e Professor de Filosofia em São Paulo).