terça-feira, 11 de setembro de 2007

A Era da descartabilidade

A Era da dercartabilidade

Muitas coisas mudaram desde a época dos nossos avós. Eles não tinham e-mail, orkut ou MSN, não ouviam música em seus Ipods, não mandavam torpedos, muito menos criavam avatares em uma “second life”. No tempo deles, não existia também talheres, copos ou pratos descartáveis. Garrafa peti, então, nem pensar. Na época deles o abridor de garrafas era útil ! A praticidade do “usou jogou fora” não fazia parte do universo deles. Imagina só que trabalho deveria ser dar festas em casa, ter que lavar aquela louça toda depois que os convidados fossem embora.

É, realmente deviam ser tempos difíceis !

O nosso, ao contrário, tornou tudo mais simples. As câmeras digitais permitem que a gente descarte as fotos que não ficaram boas. Nos Ipods a gente grava e depois desgrava as músicas e vídeos que já nos enjoaram e voltamos a gravas tudo novo. Os e-mails a gente lê e depois joga na “lixeira”, ou às vezes nem se dá o trabalho de ler, é lixeira direto. Com os CD-R´s e DVD-R´s a gente pode gravar, desgravar e regravar dados. No orkut a gente deleta scraps (segundo os adeptos deste modismo, é pra garantir a privacidade. Nada mais contraditório do que querer manter a privacidade no orkut !). Se alguém nos mandar um spam ou vírus a gente apaga, e até contatos desagradáveis ou “ex” a gente deleta também. No MSN o recurso do bloqueio ou da exclusão nos torna livres para decidir se queremos continuar mantendo contato com aquele “contato mala”. Como que em um passe de mágica a gente “se livra” do problema. Simples, não ?!

Com todos estes exemplos estamos convencidos de que viver nos dias de hoje é bem melhor do que nos tempos dos nossos avós, não é ?! Ah, deveria ser chato encontrar a “turma” na pracinha à noite, bater altos papos ao vivo e a cores, paquerar o “broto” através de troca de olhares, mandar um bilhetinho de papel na sala de aula pro amigo, precisar ir até a casa das pessoas quando se quisesse conversar, ou seja, manter “relações reais” ao invés de “relações virtuais”.
Relações virtuais são mais superficiais, menos íntimas, menos “pessoais”. Relações virtuais são mais fáceis de serem deixadas de lado, ninguém é tão cobrado, nem precisa usar de muita sinceridade. Pode-se até usar um rosto falso (quem já não foi enganado por algum “fake” ?!). Relações virtuais são, na maioria das vezes, efêmeras. São relações líquidas. Relações virtuais são facilmente descartadas. Para tanto, basta um clique, um único clique.
Relações reais dão muito mais trabalho. Precisam ser cuidadas. É preciso tempo e dedicação (tempo ?! E alguém ainda tem isso ?!). Elas requerem esforço. Relações reais são mais densas, trazem consigo maior comprometimento. Podem causar frustrações, decepções, amarguras. Relações reais revelam nossas inseguranças e medos, muitas vezes nos expõe. E sim, são muito mais difíceis de serem “deletadas”. Estamos falando então de correr riscos. E alguém hoje quer correr risco se podemos optar pela segurança do ostracismo virtual ?!

É, somos “privilegiados”. E viva a era da dercartabilidade !


By Renata Rocha.



Nenhum comentário: